Uau!
Ví uns 3 shows desta mulher e confesso que saí do sério...ela é fora de série...
Tem gente - e é muita gente - que acredita que certos artistas ganham notoriedade entre crítica e público quando o rock perde seu poder de contestação (será que o rock tem tanto poder assim?). E, vá lá, não é mentira: no vácuo entre os anos 80 e o rock do Nirvana - que virou a cara da década passada - foram dar atenção para o revisionismo hard rock do Guns N`Roses, para o soul-rock de estúdio de Lenny Kravitz, etc. Hoje, momento em que quase ninguém sabe qual é a banda dos anos 00 e vários grupos, ao mesmo tempo, parecem ter se fixado (ou não) na cabeça do ouvinte, parece haver espaço para tudo - e numa velocidade impressionante.Numa dessas, foram descobrir que músicos influenciados por aquele tipo de sonoridade que você ouve na rádio Antena 1 (sem merchan, galera!) podem dar certo - e nessa, cabe de tudo, desde o rock-de-piano de Keane e Ben Folds Five (e Coldplay), o soul de fácil audição de James Morrison, as baladinhas praieiras e meio anos 70 + 80 de Jack Johnson, etc. No meio indie, tem gente dando trela pro papo hippie de Devandra Banhart - aquele norte-americano maluco fanático por Caetano Veloso e Mutantes - mas aí é outro lance. E não, nem vou tentar meter essa teoria doida da "falta de contestação" no meio disso tudo aí. Tenho mais o que fazer.No caso da inglesa Amy Winehouse, branca, 23 anos e vocal de cantora negra bem mais velha, a "influência" vem com aparência de Dreamgirls, o filme estrelado por Beyoncé Knowles, que conta a história das Supremes. A carreira de Amy já existe há algum tempo e ela já teve influências de hip hop e jazz em seu primeiro disco, Frank (2003), sem muito sucesso. Num meio recheado de gente que tenta recriar os "sons de uma época" - coisa que acontece bastante no rock, em grupos "oitentistas" modernos como She Wants Revenge - ela ajuda a criar a demanda por uma sonoridade que é totalmente voltada para o soul pré-fabricado dos anos 60.Em seu disco novo, Back to black, até a qualidade de gravação lembra essa época. Para fazer um link com o que se espera do pop atual, até o visual dela (lembrando uma diva na capa do primeiro disco) sofreu uma repaginada, com cabelos revoltos, aparência mal-dormida e algumas tatuagens à mostra.Em Back to black, que tem apenas composições dela própria (algumas em parceria), Amy revisita o som de girl-groups como Martha Reeves & The Vandellas, Supremes e Shangri-Las (esse, com direito a agradecimento no encarte) em faixas como "Tears dry in their own" e no primeiro hit, "Rehab". Esta, por sinal, é barra pesada - a letra - cujo título, em bom português, é "reabilitação" - trata dos problemas da cantora com o álcool, já conhecidos publicamente ("eu e a bebida temos uma relação bem intensa, de amor e ódio", confessou ela com exclusividade para um jornal brasileiro, recentemente). Músicas como "You know I'm no good" e "Love is a losing game" poderiam ter saído da mão de um Otis Redding e estar no repertório de uma Aretha Franklin - o que não é motivo para ninguém sair endeusando a moça (como diz o ditado: notícias, sucessos pop, salsichas, mariola... se for consumir, melhor não ver como nada disso foi feito). Nas letras, Amy larga qualquer condição de musa soul que o mercado poderia lhe impor e vem com uma carga pesada - problemas existenciais, relacionamentos complicados, etc. ( Iuri Lin, com dados da Rolling Stone)
Back to Black (2006)

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